H.P. Lovecraft, autor de inúmeras obras sobre terror cósmico, tinha um medo muito evidente: o medo da insignificância.
Em suas obras, ele aborda criaturas antigas, de poder e conhecimento muito além da mente humana, que mostram que o ser humano não é o ápice da criação, muito pelo contrário.
Em seus contos, o ser humano é apenas um acidente cosmológico, insignificante em sua essência, diminuto em sua duração, imperceptível em suas ações.
A respeito da ciência, ele escreveu na sua mais conhecida obra — O Chamado de Cthulhu — a seguinte descrição:
“As ciências, cada uma puxando para seu próprio lado, nos causaram poucos danos até agora, mas algum dia a junção das peças do conhecimento disperso descortinará visões tão terríveis da realidade e de nossa pavorosa posição dentro dela que só nos restará enlouquecer com a revelação ou fugir da iluminação mortal para a paz e a segurança de uma nova idade das trevas”.
Seus grandes anciões eram, em parte, metáforas para o desconhecido e refletiam seus medos e inseguranças pessoais, transformando o terror inominável de nossa pequenez em entidades físicas inconcebíveis para a débil mente humana.
Impressionante como, mesmo antes de ter lido suas obras, eu já discordava disso completamente.
Uma das mais belas reflexões escritas sobre a posição do homem na escala cósmica foi feita por Carl Sagan em seu livro “Pálido ponto Azul”. Essa reflexão foi realizada a partir de uma foto da Terra tirada pela sonda Voyager 1. Nesta foto nosso importante planeta aparece como um ponto azul, quase sem definição, suportado por feixe de luz produzido pela refração da luz na câmera.
Essa pequenez não me é assustadora.
Me é grandiosa.
Libertadora até...
O infinito temido por Lovecraft me traz a profunda sensação de reverência. Contemplar o universo indiferente e ainda ser parte dele — uma parte pequena e efêmera — me permite pensar na profundidade da vida e nos sentidos que damos a ela.
A sensação do numinoso...



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