segunda-feira, 8 de junho de 2026

 

Por que ensinar Física?

BNCC.

Letramento científico.

Cidadania.

Vamos e convenhamos que tudo isso é um saco.

Talvez até justifique por que nós, como sociedade, devemos ensinar Física e ciências para nossos jovens, mas e você, e eu, professor? Por que fazemos isso?

Outro dia estava vendo um exercício sobre plano inclinado: bloquinho escorregando, partindo do repouso, força de atrito etc. A única coisa que consegui pensar foi: Pqp! Faz trinta anos que este bloquinho está escorregando este maldito plano inclinado!

Será que temos noção de como isso é chato? Eu vejo vários vídeos no YouTube  feito por professores, muito bons por sinal, resolvendo este tipo de exercícios com uma empolgação que chega a me dar asco.

Foi isso que nos levou a estudar física? Passar quatro anos sentado nas cadeiras de uma universidade para resolver esses exercícios tristes? Ou será que teve outro motivo? E se foi, qual era mesmo?

Lembrei de uma aula na faculdade na qual o professor, na primeira aula do semestre, propôs a seguinte pergunta — ou algo muito próximo: Por que você entrou no curso de física?

Não lembro da minha resposta. Na realidade eu não lembro de nenhuma das respostas. Mas lembro perfeitamente do comentário do professor sobre elas:

—Ninguém respondeu “amor ao conhecimento”! Isso é a primeira coisa que a universidade mata.

Outra memória da faculdade é a seguinte: estávamos para entrar na aula de física moderna. Uma matéria muito difícil, ministrada por uma professora bem rigorosa. Um de meus colegas de sala reclamou do motivo de estarmos tendo aquelas aulas, já que, nas palavras dele — Não vamos ensinar isso na escola.

Fiquei sem resposta. Não porque eu concordasse com ele, mas porque eu fiquei imaginando o que ele estava fazendo ali. Se nem ele, que supostamente gostava de física o suficiente para entrar em uma faculdade, gostava de aprender física, imagine nossos alunos?

(Em outro momento do curso, um colega alegou que os nossos alunos deveriam aprender certo conteúdo porque ia cair na prova, e isso já seria motivo o suficiente).

Voltando ao título da postagem: Por que ensinar física?

Não tenho a resposta. Nem foi o objetivo desta reflexão encontrar essa resposta. Meu objetivo é encontrar, com o tempo, uma resposta que faça sentido para mim. Se é que ela existe...

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Apenas um texto

 

Hoje eu abri o link deste meu antigo blog e li tudo o que escrevi nos últimos 15 anos. Por quê? Não sei.

Em 2020, saí da sala de aula e passei a atuar na área de formação de professores, dentro da diretoria de ensino (agora chamada URE) da minha cidade. Depois de três anos trabalhando com física em particular e ciências em geral, fui transferido para a área de tecnologia.

Isso porque, aqui no estado de São Paulo, a partir do segundo semestre de 2023, foi implementado um novo currículo de tecnologia nas escolas estaduais. Uma empresa particular foi contratada para desenvolver os conteúdos destinados aos estudantes e ministrá-los por meio de uma plataforma on-line. A função do professor se resumia — ou melhor, se limitava — a mediar o curso para os estudantes. Na prática, ele se tornou um fiscal de acesso com poder de dar nota.

E eu? Eu me tornei o fiscal dos fiscais. Consultava semanalmente tabelas de acesso e de resultados, além de conversar — ou cobrar — professores e coordenadores nas escolas.

Ah! Por que eu? Porque o novo currículo foca em linguagens de programação e de marcação (como HTML), e eu era o único profissional do setor que sabia programar. Logo…

Voltando.

Além de fiscal, também atuei na formação dos professores — na medida do possível. Mas, de fato, a maioria não tem conhecimento na área e acaba assumindo as aulas por falta de opção ou até mesmo como castigo. Quando somamos isso ao fato de que o processo de atribuição de aulas parece ter sido cuidadosamente planejado para dar errado, temos todos os ingredientes necessários.

Enfim, nesse meio tempo eu oscilei entre períodos de pouco contato com a física e períodos sem nenhum contato. Tento estudar para me manter afiado, mas, trabalhando com outros temas, não sobra muita energia.

Lendo o blog hoje, lembrei um pouco da energia que eu tinha para desenvolvê-lo apenas pelo prazer de fazê-lo. Não que ele não fosse útil, mas tudo que eu produzia ali poderia fazer em outro lugar, ou simplesmente não fazer. Seria muito mais fácil.

Mas eu gostava de fazer. Mesmo com uma agenda sobrecarregada, correção de provas e preparação de aulas, eu gostava de escrever no blog. Toda vez que tinha um momento disponível, trabalhava em algum resumo, melhorava, expandia. Lembro-me de que, durante os anos em que dei aula para a EJA (entre 2014 e 2019), eu sempre atualizava os materiais semestralmente e os postava.

Quando fui para a URE, procurei outras maneiras de me manter ativo: postei alguns materiais novos, disponibilizei minha dissertação, meu RPG escolar e alguns de seus desdobramentos, escrevi algumas reflexões. Mas, em algum momento — abril de 2022 — eu parei completamente de mexer no blog.

De alguma maneira, ele tinha perdido o sentido para mim. Mas, na verdade, isso é apenas um efeito colateral de um problema muito maior...


terça-feira, 5 de abril de 2022

Sistema de Combate

Olá pessoas.

Após um ano e meio de adiamentos e enrolações finalmente o novo sistema de combate está pronto e disponível para download


Em relação ao protótipo já disponível no site muita coisa foi acrescentada: na parte de combate desarmado os modificadores de ataque e defesa foram alterados, a explicação das regras está mais clara, há dicas para o narrador e incluí um exemplo de combate.


A adição mais significativa é a de regras de combate armado, com armas de mão, de longo alcance, armas de fogo, escudo e armaduras. O desenvolvimento de um sistema de regras que fosse coerente, abrangesse todos estes detalhes, e fosse simples, tomou realmente muito tempo.


O aprendizado valeu muito. As regras aqui desenvolvidas serão aplicadas em novas extensões do sistema (como o sistema de magias) e incorporadas as novas versões do sistema básico.


Três pequenos detalhes:

1- Tanto o sistema de combate quanto o futuro sistema de magia serão sempre tratados como regras opcionais e NUNCA serão incorporados ao sistema principal. Lembremos que trata-se um sistema desenvolvido para uso escolar e quero dar um argumento para os professores não utilizarem tais regras em suas aulas.


2- As tabelas de armas não é tão extensa quanto eu gostaria, mas posso ir soltando tabelas adicionais independentes. Se eu tentar fazer tudo de uma vez nunca vai ficar pronto.


3- Já tenho uma nova ficha de personagem que incorpora espaço para as novas regras. Este mês eu libero aqui no blog.


Para acessar o arquivo clique aqui.


É isso aí…

Beijos nas crianças



segunda-feira, 28 de março de 2022

E-book Narrativa


Continuando o trabalho de atualizar meu RPG para uso escolar vou postar o novo livro de regras, revisado e ligeiramente ampliado.

Na realidade ele já está pronto há quase um ano, mas estava com preguiça de publicá-lo aqui no blog. Por que? Nunca saberemos.

Mas uma desculpa que eu tenho é que eu nunca acho que está bom o suficiente, e quero ficar alterando aqui e ali, e toda vez que termino o sistema percebo que esqueci de escrever seções inteiras…

Mas, parafraseando uma amiga minha, o feito é melhor que o perfeito. Então aqui está o e-book, bem mais bonitinho, do sistema básico de regras.

Basta clicar aqui

O sistema não possui sistema de combate, e nunca terá um no “manual básico”. Mas será publicado como regras opcionais aqui no blog, estas regras já estão terminadas e serão publicadas em breve. À parte disto estou desenvolvendo um sistema de magia, mas sua publicação ficará um pouco mais para frente.

Depois destas fases quero começar a pensar em histórias, que são bem difíceis de criar, e vou postando por aqui.

Beijo nas crianças.