Hoje eu abri o link deste meu antigo blog e li tudo o que escrevi nos últimos 15 anos. Por quê? Não sei.
Em 2020, saí da sala de aula e passei a atuar na área de formação de professores, dentro da diretoria de ensino (agora chamada URE) da minha cidade. Depois de três anos trabalhando com física em particular e ciências em geral, fui transferido para a área de tecnologia.
Isso porque, aqui no estado de São Paulo, a partir do segundo semestre de 2023, foi implementado um novo currículo de tecnologia nas escolas estaduais. Uma empresa particular foi contratada para desenvolver os conteúdos destinados aos estudantes e ministrá-los por meio de uma plataforma on-line. A função do professor se resumia — ou melhor, se limitava — a mediar o curso para os estudantes. Na prática, ele se tornou um fiscal de acesso com poder de dar nota.E eu? Eu me tornei o fiscal dos fiscais. Consultava semanalmente tabelas de acesso e de resultados, além de conversar — ou cobrar — professores e coordenadores nas escolas.
Ah! Por que eu? Porque o novo currículo foca em linguagens de programação e de marcação (como HTML), e eu era o único profissional do setor que sabia programar. Logo…
Voltando.
Além de fiscal, também atuei na formação dos professores — na medida do possível. Mas, de fato, a maioria não tem conhecimento na área e acaba assumindo as aulas por falta de opção ou até mesmo como castigo. Quando somamos isso ao fato de que o processo de atribuição de aulas parece ter sido cuidadosamente planejado para dar errado, temos todos os ingredientes necessários.
Enfim, nesse meio tempo eu oscilei entre períodos de pouco contato com a física e períodos sem nenhum contato. Tento estudar para me manter afiado, mas, trabalhando com outros temas, não sobra muita energia.
Lendo o blog hoje, lembrei um pouco da energia que eu tinha para desenvolvê-lo apenas pelo prazer de fazê-lo. Não que ele não fosse útil, mas tudo que eu produzia ali poderia fazer em outro lugar, ou simplesmente não fazer. Seria muito mais fácil.
Mas eu gostava de fazer. Mesmo com uma agenda sobrecarregada, correção de provas e preparação de aulas, eu gostava de escrever no blog. Toda vez que tinha um momento disponível, trabalhava em algum resumo, melhorava, expandia. Lembro-me de que, durante os anos em que dei aula para a EJA (entre 2014 e 2019), eu sempre atualizava os materiais semestralmente e os postava.
Quando fui para a URE, procurei outras maneiras de me manter ativo: postei alguns materiais novos, disponibilizei minha dissertação, meu RPG escolar e alguns de seus desdobramentos, escrevi algumas reflexões. Mas, em algum momento — abril de 2022 — eu parei completamente de mexer no blog.
De alguma maneira, ele tinha perdido o sentido para mim. Mas, na verdade, isso é apenas um efeito colateral de um problema muito maior...
